Linhas Varicôr Século XXI

O objetivo desta mostragem é trazer informações sobre características e uso das LINHAS VARICÔR.
Elas fizeram parte de nossa história. E continuam presentes nos dias de hoje.
Não vamos citar nomes nem datas, pois nosso objetivo é abordar a linha em si.
Os dados aqui apresentados foram levantados a partir de pesquisas com pessoas próximas que fizeram uso destas linhas, como nossas avós, mães ou conhecidas, atestando assim a veracidade das informações.
Esta Introdução não tem a pretensão de fazer propaganda, pois estamos a falar de um produto que não se fabrica mais.
Descreveremos o que conseguimos identificar de alguns produtos, usando o verbo no passado. Porém ao adentrarmos o emprego destas linhas nos pegamos usando o verbo no presente.
E isto ficou registrado como um atestado ao uso ainda atual destas linhas, mesmo sem tê-las mais disponíveis no mercado.
Onde se localizava a Fábrica e o que se fabricava.
A fábrica de Linhas Varicôr funcionou durante décadas na cidade de Campos, no interior do Rio de Janeiro.
Eram fabricadas diversas variedades de linhas. Desde as linhas de algodão às linhas de rayon, popularmente conhecidas como linhas "de seda", mas na verdade eram confeccionadas em RAYON.
Havia ainda outros tipos de aviamentos: sianinhas, sutaches, lã, banlon, linhas para tricô e crochê .
O trabalho de pesquisa é árduo pois a fábrica fechou há muitos anos e não há mais nada no local e nem tampouco registros sobre isso.
Além das linhas para bordar, a Varicôr também fabricava linhas para tricô e crochê. Todas em rayon.
Das variedades fabricadas, até o momento conseguimos identificar as seguintes variedades:

ALELUIA:
É a linha clássica, tradicional e mais conhecida. De textura fina, perfeita para bordar roupinhas de bebê.
BOSSA NOVA:
Era uma linha moderna, mais encorpada.
Pelo próprio nome de batismo, foi criada nos tempos da Bossa-nova, ocasião em que houve uma verdadeira revolução no modo de vestir da juventude.
Logo veio o movimento Paz e Amor dos hippies, onde as roupas eram bordadas com cores alegres e coloridas.
Passando a exprimir este sentimento de vanguarda da época.
LUINHA:
Uma linha um pouquinho mais grossa que a ALELUIA.
Era uma linha que se adaptava a quase todos os tecidos, desde os mais finos até o mais encorpado.
O rococó fica perfeito na LUINHA e na ALELUIA, que são linhas mais finas e ao mesmo tempo "encorpadinhas".
FILOSEL:
Era uma linha extremamente sedosa e finíssima.
Adequava-se melhor para bordados em cambraia de linho ou pequenos detalhes. Era uma linha rara de extremo bom gosto. Sutil.
CACHOPA:
Era uma linha com uma textura bem singela, que enriquecia o bordado e dava um certo volume.
Costumava-se usá-la para fazer folhagens com efeito "crespinhas" muito especial.
MADAME MAIA:
Era uma linha chiquérrima. Ela era composta de um cabo bem grosso formado por 4 fios de linha.
Podia ser usada individualmente, desfazendo o cabo e puxando o fio (exatamente como se faz com as linhas molinê de algodão com 6 fios).
Ela era especial e requeria um certo treino para usá-la sem estragar.
Como toda linha de seda, o emprego exige habilidade.
A coleção era linda, bem colorida.

IMPERIAL:
Era uma linha de textura bem grossa do tipo bouclê , usada para fazer o bordado sobreposto, devendo ser trabalhada sobre o tecido sem penetrar nas fibras.
Parece difícil, mas é facílimo bordar com ela.
E além de tudo, seu rendimento é muito bom. Por ser grossa e texturizada, o bordado rende, cresce e aparece!
BOUCLÉLIN:
É que é uma linha de textura semelhante à Imperial, no entanto, bem mais fina.
FIO DE VERÃO:
Era uma linha bem grossa e sedosa, usada para fazer pétalas de flores diversas com brilho inigualável.
O volume é o seu ponto forte.
SISSI:
Era uma linha tipo "ráfia", encorpada, e com textura "meio seca", mas que dava um toque elegante às flores. Com um ponto especialmente criado para esta linha, podemos fazer lindos bordados.
A Varicôr possuía inúmeras variedades de linhas, não só em meadas como também em carretéis.

E também linhas em algodão puro.
Os bordados feitos com estas linhas trazem um resultado que ficou registrado em nossa memória.
Pontos foram desenvolvidos especialmente para estas diferentes espécies de linhas.
Cada linha traz uma textura e uma quantidade diferente de fios, portanto desenvolvem uma torção e desempenho diferentes.
Para ensinar esta variedade de pontos, criou-se um sistema de "oficinas" que eram levadas até as cidades e ministrados em aulas praticas.
Desta forma o bordado se espalhou rapidamente, tornando-se quase uma "febre".
Só para registrar, estamos falando dos anos 60.
Não havia quem não soubesse ou adquirisse um kit contendo linhas e risco com explicação para desenvolver o seu trabalho.
Hoje, olhando para o passado, podemos entender melhor como nasceu o conceito BORDADOS BRASILEIROS ou  Brazilian Embroidery no exterior.
Estes mesmos pontos "especiais" tornaram-se nossa marca, inovando a forma de criar com estas linhas.
Vejamos alguns trabalhos feitos na época, conservados em ótimo estado até os dias de hoje, comprovando a qualidade dos fios.
 





Esses são alguns dos trabalhos realizados e cedidos para imagem por Dna.Ivete de Oliveira Barros residente em Campinas.



As imagens abaixo são de um trabalho desenvolvido especialmente para o I SEMINÁRIO DE BORDADOS BRASILEIROS NA UNICAMP.
Foram bordadas 9 cestas de flores com linhas Varicôr.
Provamos assim a qualidade destas linhas tanto em material quanto em resposta ao ponto empregado.
As peças foram assinadas, mas as dedicadas mãos que desenvolveram este trabalho no prazo record de um mês, merecem os créditos.
Professora Maria Cordeiro Grama, Astrid Nogueira, Dalva Conforto Segre, Dulcinea Dalio, Eliana Ferreira, Elivete Sampaio, Edméa Oliveira Ribeiro, Roseli Veroneze Becker e Silvana Vituriano Celiste.






Acima, o trabalho pronto recebeu borda em renda, e quilt em nó francês.

Esta é a primeira de algumas postagens sobre as Linhas Varicôr que faremos com frequência.
Visite também, neste mesmo blog, o assunto sobre como preparar sua linha para o uso, e mais informações sobre o assunto, Clicando aqui


Próximo assunto: BRASILIAN EMBROIDERY
Curta e Comente para participar deste assunto, e não esqueça de se Inscrever para receber futuras publicações deste blog.
Rose Becker
Fevereiro 2016


6 comentários:

  1. linda descrição histórica Rose e parabéns pelo belíssimo trabalho das cestas para a exposição na UNICAMP.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grata amiga sua opinião é importante para mim. Beijo

      Excluir
  2. Obrigada, Rose. Sou admiradora de seus trabalhos e parabéns por este novo site. bjos

    ResponderExcluir
  3. PARABENS PELOS TRABALHOS ...FIQUEI MUITO CONTENTE EM REVER TRABALHOS COM ESSAS LINHAS .FAZ TEMPO QUE NAO HAVIA VISTO MAIS..

    ResponderExcluir

Seja bem vinda para comentar. Sua opinião é importante aqui.